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29 de jul. de 2022

Eu sou a colza. Você desconhece que lhe passo um diploma de otário

Colza: A deplorável história de uma enganação mundial

Outono – 2015 (rev: 2021)
L Vallejo

Advertência
Todos os fatos aqui apresentados foram extraídos de pesquisas, 
feitas por cientistas e especialistas, que estão nos links no final 
deste documento, que deverão ser consultados 
por quem desejar se aprofundar no assunto

A colza é uma planta. Seu nome científico é brassica e o termo em português deriva-se do holandês “koolzaad” que significa semente de couve.  Em língua inglesa ela é chamada de rape.


  
A família botânica da brassica (B) possui três espécies primárias (B. nigra, B. campestris e B. oleracea) e três secundárias (B. napus, B. carinata e B. juncea). Para identificá-los em linguagem comum, repolho, couve, couve-flor, brócolis e outros vegetais pertencem ao B. oleracea, enquanto a colza e nabos “argentinos” pertencem a  família B. napus e colza e nabos “poloneses” pertencem a B.campestris. Variedades de mostardas compõem B. carinata, B. juncea e B. nigra.

Vários membros da família Brassica estão provavelmente entre as primeiras culturas alimentares domesticadas. Há evidências de que alguns vegetais desse tipo foram amplamente utilizados na era neolítica e no antigo sânscrito indiano escrito entre 2000-1500 a.C.  existe menção a essas culturas. Textos Gregos, Romanos e Chineses de 500-200 a.C. também mencionam essas culturas e descrevem suas propriedades medicinais.  A planta era usada como forragem para os animais.

Sabe-se que a colza (brassica campestris oleifera) é cultivada na Europa desde o século XIII, e muito possivelmente antes, onde era usado tanto em alimentos quanto como óleo de cozinha. 

A colza é cultivada na China há quase 2000 anos e é a cultura oleaginosa mais importante do país e a quinta cultura mais importante globalmente atrás do arroz, trigo, milho e algodão. A China também é a maior produtor de colza do mundo. A Índia é o segundo maior produtor de colza enquanto o Canadá é o terceiro. O Canadá tem sido líder no desenvolvimento de cultivares como a colza, principalmente no desenvolvimento dos transgênicos e alteração genética das sementes de colza (rapeseed).

Campo de colza na China
A colza é uma praga. É uma planta que nasce e se reproduz com velocidade inundando os campos. Dá uma flor pequena, amarela, muito bonita.  E suas sementes fornecem facilmente um abundante óleo. Porém, desde os tempos antigos, o óleo de semente de colza (rapeseed oil) é reconhecido por ser venenoso.  


Porém esse óleo contém ácidos graxos, baixo teor de gorduras saturadas e quantidades significativas de gorduras ômega-3. Esses fatos serviram para alavancar  o projeto de se utilizar o óleo de colza na alimentação humana. Mas,  as propriedades negativas e perigosas tanto do óleo como do seu processamento eram maiores e foi preciso fazer um pesado jogo sujo de corrupção e mentiras  para enganar as pessoas e levar tal projeto avante. 

Para entender o que se passou, é necessário falar rapidamente de nutrição humana e gorduras.  O intuito aqui é apenas passar uma ligeira noção, para que se entenda o restante do texto.
Uma nutrição balanceada precisa conter necessariamente proteínas, carboidratos e gorduras. A quantidade mínima de gorduras ingeridas diariamente deve ser 30% da alimentação.  Uma dieta com falta de algum desses três não é saudável e deixa o corpo comprometido em seus sistemas de defesa e suporte a vida. 
As gorduras podem ser saturadas e insaturadas.  As saturadas são os ácidos graxos saturados e como exemplos  temos a manteiga, banha de porco, proteína animal com gordura (ex: costela de boi), produtos lácteos integrais e manteiga de cacau.
As insaturadas dividem-se em gorduras trans, monoinsaturadas e polinsaturadas.  As gorduras trans podem ser mono, poli ou ambas. Todas as gorduras e óleos naturais são uma combinação de ácidos graxos monoinsaturados, poliinsaturados e saturados. Os ácidos graxos trans (TFA) são formados durante a hidrogenação industrial parcial do óleo vegetal, processo amplamente comercializado para a produção de gorduras sólidas. 

A pesquisa provou a conexão direta dos ácidos graxos trans com doenças cardiovasculares, câncer de mama, encurtamento do período de gravidez, riscos de pré-eclâmpsia, distúrbios do sistema nervoso e da visão em bebês, câncer de cólon, diabetes, obesidade e alergia. 

Alimentos e óleos processados fornecem aproximadamente 80% de gorduras trans na dieta, em comparação com 20% que ocorrem naturalmente em alimentos de origem animal. As principais fontes alimentares de gorduras trans são bolos, biscoitos, bolachas, margarina, batatas fritas, pipoca e gordura doméstica.

As monoinsaturadas são ômega7 e omega9.  Como exemplo de omega7 temos carne e produtos lácteos integrais, ou seja, não desnatados, de animais alimentados com grama; salmão pescado no mar e noz macadâmia. Como exemplo de omega9 temos carne de animais alimentados com grama, azeite de oliva, azeitonas, nozes, abacate e óleo de gergelim. 

As gorduras polinsaturadas podem ser omega3, omega5 e omega6. Exemplos de omega3: óleo de linhaça, sardinhas, óleo de fígado de bacalhau, nozes, amêndoas, pistaches, hortaliças verde escuras, atum, salmão fresco. Como exemplo de omega5 temos: laticínios integrais, óleos de dendê, gordura de coco, palmitos, salmão fresco, macadâmia, óleo de sementes de romã. 

E finalmente exemplos de ômega6 : azeitonas, azeite de oliva, nozes, frangos,  Ovos, abacate, óleo de linhaça, sementes de abobora, açaí.

Todos esses ácidos graxos são produzidos pelo organismo quando se ingere uma de suas fontes, com exceção dos saturados, Omega3  e ômega6 . Eles são essenciais para a saúde do  corpo mas este não os produz. Assim é necessário que sejam ingeridos diariamente.

Essa explicação é suficiente para podermos continuar. 

Existe um ditado recente, completamente correto, que avisa: “para se ter saúde, não ingerir nada industrializado.”  Isso porque a indústria alimentícia utiliza produtos químicos  insalubres em seus produtos.  Leia os rótulos: ácido cítrico, fosfato dissodico, inosinato de sódio, dióxido de silício, glutamato monossodico, sorbato de potássio e adoçantes (edulcorantes) entre outros.

Existem diversos estudos mostrando que o glutamato monossodico é cancerígeno. A indústria esta gastando milhões  com a “teoria umami”  para evitar a proibição de seu uso. ( Umami) 

O sorbato de potássio é um bactericida, perigoso se for ingerido em doses altas, que até a década de  1980 era proibido no Brasil. Foi liberado a custa de milhões colocados no bolso de políticos  funcionários do governo. É assim que funciona essa engrenagem.

Até meados do século XIX a indústria alimentícia era incipiente. Os alimentos eram processados de forma artesanal com nenhum ou poucos conservantes, tais como o açúcar, sal e nitrato de potássio (salitre).  Com o desenvolvimento das indústrias alimentícia e química e a combinação das duas, descobriu-se que  os químicos adicionados aos alimentos eram baratos e os produtos com eles compostos traziam com sua venda, lucros astronômicos a ambas indústrias.

O problema era como vendê-los. Ou melhor, como fazer com que a população consentisse em comprá-los e consumi-los. Nos Estados Unidos,  depois da década de 1930, o rádio e a TV estavam se disseminando entre todas as camadas da população. E atingiam também aquela parcela da população mais pobre que não tinha o hábito de ler jornais.  

As indústrias então lançaram um projeto de convencimento das pessoas  para que abandonassem os tradicionais alimentos e consumissem os “novos” produzidos por eles. E o fizeram simplesmente com a tática de aterrorizar: Os produtos velhos causavam doenças e mortes e os novos eram saudáveis e baratos.

Isso sempre funciona. Apoiados na falácia da autoridade, onde alguém com algum título ou estudo dá uma opinião que é acatada por todos, sem ser comprovada, mas com credibilidade baseada apenas no estatus do “doutor”, a indústria corrompeu, com milhões de dólares, políticos, funcionários do governo, médicos, celebridades e famosos do radio, tv e cinema  para apoiarem e darem seus testemunhos sobre esses novos produtos, fazendo as vendas dispararem e introduzindo novos hábitos entre a população.

O plano foi demonizar produtos tais como o sal, o açúcar, a banha, a manteiga e o ovo, que foram culpados por, principalmente, provocarem doenças do coração e entupimento de veias. Foram catalogados como alimentos “não saudáveis”, ao passo que incentivavam a população a consumirem alimentos “saudáveis” indicados por lobbies financiados pela indústria.

Conseguiram então, de forma sinistra, infiltrar-se no movimento popular, para desvirtuar a informação passada ao grande público. Afirmar que as gorduras naturalmente saturadas, de origem animal, eram a causa das doenças cardíacas contemporâneas e do flagelo do câncer, foi o carro-chefe dessa campanha de desinformação. 

A manteiga serviu de saco de pancadas para o ataque e foi acusada de crimes terríveis. Os ditadores da Dieta nos disseram ser preferível usar a margarina polinsaturada - conselho esse seguido pela maioria dos americanos. A manteiga simplesmente desapareceu, rejeitada como malfeitora.

A população chocada com essas novas “constatações”  deixou de avaliar que há milênios a manteiga tem sido apreciada por suas propriedades de dar sustento à vida, sendo um dos alicerces da alimentação de muitos povos extremamente sadios.

As gorduras de origem animal e vegetal fornecem uma fonte concentrada de energia na dieta; eles também fornecem blocos de construção para membranas celulares e uma variedade de hormônios e substâncias semelhantes a hormônios. Gorduras como parte de uma refeição diminuem a velocidade de absorção para que possamos passar mais tempo sem sentir fome. Além disso, atuam como transportadores de importantes vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. As gorduras são necessárias para a conversão de caroteno em vitamina A, para absorção de minerais e para uma série de outros processos.

A “Nutrição Politicamente Correta” é baseada na suposição de que devemos reduzir nossa ingestão de gorduras, principalmente as gorduras saturadas de origem animal. As gorduras de origem animal também contêm colesterol, apresentado como o vilão gêmeo da manteiga de uma  “dieta civilizada”.  Essa teoria – chamada de HIPÓTESE LIPÍDICA –  é  que existe uma relação direta entre a quantidade de gordura saturada e colesterol na dieta e a incidência de doença coronariana.

Atacar a manteiga para vender margarina, um produto já provado e comprovado como maléfico á saúde. Atacar o ovo por ser fonte de colesterol – imprescindível para o bom funcionamento do organismo – ou seja mais uma gordura saturada que “entupia as veias”. E por fim atacar a banha  pelos mesmos motivos. Mas tais ataques tinham um objetivo maior oculto: introduzir o consumo de óleos vegetais com uma propaganda de que seriam  a opção saudável às gorduras saturadas. 

Estava patente que produzir óleos vegetais era infinitamente mais barato que produzir manteiga, azeite de oliva, gordura de coco, banha e ovos.  Além disso, a quantidade produzida também era um diferencial fantástico. Mais barato na produção lucros maiores. Essa é a ideia.

Nesse ponto, o leitor deve estar se perguntando: “Ok. E a colza? O que eu tenho a ver com essa planta que nunca ouvi falar?” Então, meu caro, chegou a hora de dizer que você conhece a colza. E usa seu óleo. E sorri, pensando estar sendo esperto e saudável. Isso porque o óleo de colza tem um apelido: CANOLA.
Parou de rir? Chore então ao saber do que se segue. Chore porque você foi feito de trouxa e ainda pagou por isso.

A colza está aí. Inundando os campos. Derivada da família da mostarda, é uma erva daninha com sementes que produzem um óleo de forma fácil e abundante.  E seu óleo contém ômega3 e cerca de 20% de  ÁCIDO ERÚCICO que é extremamente tóxico.  E esse óleo é extraído de forma constante e copiosa, mais e mais, a medida que o tempo passa.

O óleo de colza é uma substância tóxica e venenosa, um óleo industrial nocivo aos seres vivos, que, quando processado, torna-se rançoso muito rapidamente. Ele contém substâncias tóxicas tais como glicosídeos contendo cianeto. Causa a doença da vaca louca, cegueira, distúrbios nervosos, coágulos de sangue e depressão do sistema imunológico.

O óleo de colza é um excelente repelente de insetos. Os usos industriais do óleo de colza são bem conhecidos. É usado como lubrificante, combustível, sabão,  base de borracha sintética e como iluminador para páginas coloridas em revistas. É um óleo industrial, usado para fazer verniz e como inseticida. Não é um alimento. 

O óleo de colza também é a base do agente de guerra química, o gás mostarda, que foi proibido depois de causar bolhas nos pulmões e na pele de centenas de milhares de soldados e civis durante a Primeira Guerra Mundial. 

O óleo de colza está fortemente relacionado a sintomas de enfisema, desconforto respiratório, anemia, constipação, irritabilidade e cegueira em animais e humanos. Demonstrou-se que sua fumaça causa câncer de pulmão (Wall Street Journal, 7 de junho de 1995). Relatórios sobre os perigos do óleo de colza são inúmeros na internet. Um deles é um artigo, “Cegueira, Doença da Vaca Louca e Óleo Canola”, de John Thomas, que apareceu pela primeira vez na revista Perceptions, março/abril 1996. Outros artigos descrevem uma variedade de sintomas, incluindo tremores, paralisia, falta de coordenação, fala arrastada, problemas de memória, visão turva,  problemas com micção, dormência e formigamento nas extremidades e arritmias cardíacas que desapareceram com a interrupção do uso de canola. E ainda o nanismo em crianças. Tão comprovado que o FDA ressaltou sua proibição para uso em alimentos infantis. (ver abaixo)

Um grande problema é que os ácidos graxos ômega-3 (a única parte boa antes do processamento) é transformado durante o processo de desodorização em ácidos graxos trans (TFA) – algo muito ruim.  Todos os óleos vegetais possuem mau cheiro e necessitam ser desodorizados por processos violentos (altas pressões e temperaturas), utilizando-se principalmente o hexano, um derivado do petróleo cancerígeno. Nesse processo de refino e desodorização perde-se cerca de 80% do omega3 inicial. O óleo também é submetido a processos radicais para se reduzir o ácido erúcico e torná-lo possível de ser consumido sem matar  quem consome. Veja o quadro onde se nota que  a proporção desse ácido é “menor que 2%”. Ou seja, em um litro, existem 20 ml de ácido erúcico. Não mata, mas aleija. Bom apetite!



O Caso da Espanha (adicionado em 2021)

Em 1981 ocorreu o escândalo da pior epidemia de intoxicação alimentar da Espanha.  O surto da síndrome do óleo tóxico (TOS) ocorreu na Espanha em 1981. Foi atribuído ao consumo de óleo de cozinha de colza. 

O azeite de oliva foi adulterado com óleo de colza que era para uso industrial e foi vendido ilegalmente, principalmente em mercados de rua, começando em Madri e se espalhando para outras áreas.

Os sintomas variaram de insuficiência pulmonar e deformação dos membros até a destruição do sistema imunológico do corpo. Muitos sobreviventes ficaram aleijados pelo resto da vida.

Cerca de 100.000 indivíduos foram expostos e a doença clínica ocorreu em 20.000 pessoas, 10.000 das quais foram hospitalizadas, de acordo com o site Science Direct. Mais de 300 vítimas morreram e muitas outras ficaram com doenças crônicas, disse a Science Direct. Segundo a organização de sobreviventes Seguimos Viviendo, mais de 5.000 pessoas morreram ao longo dos anos e há 20.000 vítimas sobreviventes com má qualidade de vida e degenerações incuráveis.


MADRI, 19 de outubro 2021 (Reuters) - Um grupo de sobreviventes de um envenenamento em massa com óleo de colza há 40 anos ocupou o Museu El Prado de Madri e ameaçou cometer suicídio se o governo espanhol não responder às suas demandas.




História:

Entre 1950 e 1953, sementes de colza foram irradiadas na Suécia, para aumentar a produção de sementes e teor de óleo.
A Hipótese Lipídica foi proposta por um pesquisador chamado Ancel Keys no final da década de 1950. Numerosos estudos subsequentes questionaram seus dados e conclusões. No entanto, os artigos de Keys receberam muito mais publicidade do que aqueles que apresentavam pontos de vista alternativos. 

As indústrias de óleos vegetais e de processamento de alimentos, os principais beneficiários de qualquer pesquisa que encontrasse falhas em alimentos tradicionais concorrentes, começaram a promover e financiar mais pesquisas destinadas a apoiar a hipótese lipídica.

Uma delas foi em 1954, quando um jovem pesquisador da Rússia chamado David Kritchevsky publicou um artigo descrevendo os efeitos da alimentação com colesterol aos coelhos. O colesterol adicionado à ração vegetariana de coelho causou a formação de ateromas – placas que bloqueiam artérias e contribuem para doenças cardíacas.  No mesmo ano, segundo a American Oil Chemists Society, Kritchevsky publicou um artigo descrevendo os efeitos benéficos dos ácidos graxos polinsaturados para reduzir os níveis de colesterol

Essa pesquisa que provou ser falaciosa por outros pesquisadores, que mostraram que herbívoros reagem completamente diferente aos onívoros com tal alimentação. Em diversas outras pesquisas, ratos alimentados com polinsaturados vieram apesentar uma série de doenças já relatadas aqui. Mas a indústria do óleo vegetal continuou a despejar  milhões de dólares  para que surgissem apoiadores da teoria lipídica.

Esses "especialistas" nos asseguram que a hipótese lipídica é apoiada por provas científicas incontestáveis. A maioria das pessoas ficaria surpresa ao saber que há, de fato, muito pouca evidência para apoiar a afirmação de que uma dieta pobre em colesterol e em gorduras saturadas realmente reduz a morte por doença cardíaca ou de qualquer forma aumenta a expectativa de vida.

Antes de 1920, a doença cardíaca coronária era rara na América; tão rara que quando um jovem médico residente chamado Paul Dudley White apresentou o eletrocardiógrafo alemão a seus colegas da Universidade de Harvard, eles o aconselharam a se concentrar em um ramo mais lucrativo da medicina.  Durante os próximos quarenta anos, no entanto, a incidência de doença cardíaca coronária aumentou dramaticamente, tanto que em meados dos anos 50 a doença cardíaca era a principal causa de morte entre os americanos. 

Hoje, as doenças cardíacas causam pelo menos 40% de todas as mortes nos EUA. Se, como nos foi dito,  as doenças do coração são provocadas pelo consumo de gorduras saturadas, seria de esperar encontrar um aumento correspondente na gordura animal na dieta americana. Na verdade, o inverso é a realidade. 

Durante o período de sessenta anos de 1910 a 1970, a proporção de gordura animal tradicional na dieta americana caiu de 83% para 62%, e o consumo de manteiga despencou de 9 kg por pessoa por ano para dois. Durante os últimos oitenta anos, a ingestão de colesterol na dieta aumentou apenas 1%. Durante o mesmo período, a porcentagem de óleos vegetais dietéticos na forma de margarina, gordura e óleos refinados (polinsaturados) aumentaram cerca de 400% enquanto o consumo de açúcar e alimentos processados aumentou cerca de 60%.

O público foi bombardeado com muita desinformação sobre as virtudes relativas das gorduras saturadas versus óleos polinsaturados. “Gurus dietéticos politicamente corretos” – geralmente recebendo suborno da indústria do óleo -  nos dizem que os óleos polinsaturados são bons para nós e que as gorduras saturadas causam câncer e doenças cardíacas. 

O resultado é que ocorreram mudanças fundamentais na  dieta do Ocidente. Na virada do século XIX, a maioria dos ácidos graxos da dieta eram saturados ou monoinsaturados, principalmente manteiga, banha, toucinho, óleo de coco e pequenas quantidades de azeite. Hoje, a maioria das gorduras da dieta são polinsaturados de óleos vegetais derivados principalmente de soja, assim como de milho, girassol, amendoim, etc.

O consumo excessivo de óleos polinsaturados contribui para um grande número de doenças incluindo aumento do câncer e doenças cardíacas; disfunção do sistema imunológico; danos ao fígado, órgãos reprodutivos e pulmões; desordens digestivas; capacidade de aprendizagem deprimida; crescimento prejudicado; e ganho de peso.

Uma razão pela qual os polinsaturados causam tantos problemas de saúde é que eles tendem a se tornar oxidados ou rançosos quando submetido ao calor, oxigênio e umidade como no cozimento e processamento. Os óleos rançosos são caracterizados por radicais - isto é, átomos únicos ou aglomerados com um elétron desemparelhado em uma órbita externa. Esses compostos são extremamente reativos quimicamente. 

Eles são conhecidos como "saqueadores" no corpo por atacarem as membranas celulares e células sanguíneas e causar danos nas cadeias de DNA/RNA, desencadeando mutações nos tecidos, vasos sanguíneos e pele.  Radicais Livres danificam a pele e causam rugas e envelhecimento prematuro; radicais livres agindo nos tecidos e conjuntos de órgãos preparam o estágio para tumores; danos de radicais livres nos vasos sanguíneos iniciam o acúmulo de placas. 

Para surpresa geral, testes e estudos têm mostrado repetidamente uma alta correlação entre câncer e doenças cardíacas com o consumo de polinsaturados. Novas evidências ligam a exposição a radicais livres com envelhecimento prematuro, com doenças autoimunes como artrite, doença de Parkinson, doença de Lou Gehrig, Alzheimer e catarata.

Fingindo ignorar tudo isso, no final da década de 1970, usando uma técnica de manipulação genética envolvendo divisão de sementes (R.K. Downey, Genetic Control of Fatty Acid Biosnythesis in Rapeseed. Jornal da Sociedade Americana de Químicos de Petróleo, 1964;41:475-478.), técnicos canadenses conseguiram uma variedade de colza que produziu um óleo com baixo teor de ácido erúcico e alto em ácido oleico.

O novo óleo, conhecido como óleo LEAR – sigla para Low Erucic-Acid Rapeseed - demorou a pegar nos EUA. Em 1986, a Cargill anunciou a venda da oleaginosa LEAR aos agricultores dos EUA e forneceu o processamento de óleo LEAR em sua fábrica em Riverside, Dakota do Norte; mas os preços caíram e os agricultores tiveram prejuízo (Journal of the American Oil Chemists' Society, dezembro de 1986;63(12):1510).

Antes que o óleo LEAR pudesse ser promovido como alternativa aos óleos polinsaturados, precisava de um novo nome. Nem “rape” nem “lear” seriam adequados para invocar uma imagem saudável para a nova safra do transgênico. Então, em 1978, a indústria optou por “canola”, derivado de “óleo canadense”,  já que a maior parte da nova colza naquela época era cultivada no Canadá.  Assim CANOLA foi o acrônimo para “
CANADIAN OIL LOW ACID” ou seja “óleo canadense com pouco ácido”. “Canola” também soava como “can do” e “payola”,  ambas as frases positivas na linguagem do marketing. No entanto, o novo nome não entrou em uso generalizado até o início dos anos 1990.

Quimicamente, tal óleo se compõe em  5% de  gorduras saturadas,  57% de ácido oleico, 23% de ômega-6 e 10%-15% de ômega-3. A razão pela qual é particularmente inadequado para consumo é porque contém um ácido graxo de cadeia, chamado ácido erúcico, que é tóxico. 

Mas há algumas indicações de que o óleo canola apresenta perigos próprios. Devido ao seu alto teor de enxofre, ele fica rançoso facilmente e os produtos assados feitos com esse óleo desenvolvem bolores rapidamente. Durante o processo de desodorização, os ácidos graxos ômega-3 do óleo canola processado são transformados em ácidos graxos trans, semelhantes aos da margarina e possivelmente mais perigosos.

Um estudo recente indica que o óleo canola, "saudável para o coração", na verdade cria uma deficiência de vitamina E, uma vitamina necessária para a saúde do  sistema cardiovascular. Outros estudos indicam que mesmo o óleo canola com baixo teor de ácido erúcico causa lesões cardíacas, principalmente quando a dieta é pobre em gordura saturada.

Em meados dos anos 1980, na America,  em conluio com o American Heart Association, várias agências governamentais e departamentos de nutrição das principais universidades, a indústria vinha promovendo óleos polinsaturados como alternativa saudável para o coração para resolver o problema do “entupimento de artérias provocado pelas gorduras saturadas”.

Esse é o começo do capítulo terrível de como a indústria do óleo do Canada subornou  a todos que precisou para  vender tal óleo. Não foram poupados dólares nem pesquisas mentirosas, nem testemunhas de pessoas na folha de pagamento da indústria.

O projeto de convencimento envolveu médicos, cientistas, universidades, órgãos do governo, a mídia, num poderoso e massacrante rolo compressor que acabou por convencer o público idiotizado pela TV que o óleo canola era o melhor para a saúde: 
“O óleo de canola contém apenas vestígios de erúcico ácido e um perfil único de ácidos graxos que o torna rico em ácido oleico e baixo teor de gorduras saturadas; isso o faz particularmente benéfico para a prevenção de doenças cardíacas. Ele também contém quantidades significativas de gorduras ômega-3 ácidos, também mostrou ter benefícios para a saúde.” (informativo da indústria)
A principal luta foi obter o GRAS (Generally Recognized as Safe) o status fornecido pela Food and Drug Administration dos EUA.  Uma mudança na regulamentação seria necessária antes que o canola pudesse ser comercializado nos EUA. A regulamentação existente era de 1938 e impedia a entrada desse óleo no país. A FDA sabia do perigo dele para a saúde e se recusava a ceder o certificado. 

A pressão nesse órgão foi insana.  Admissões, demissões, expurgos, suborno pesado, ameaças, extinção de carreiras, um circo de horrores, à medida que os honestos iam caindo e pessoas escolhidas a dedo - notadamente ex-funcionários da indústria de óleo - eram nomeadas pelo departamento de agricultura americano, movido também a suborno, tráfico de influências e ameaças.

Enfim,  o status GRAS foi concedido em 1985.  O governo canadense pagou à  FDA a quantia de US $ 50 milhões para ter a colza registrada e reconhecida como “seguro”.  A quantia gasta com rádio, TV, conferências científicas, jornais, revistas especializadas, celebridades, programas de culinária na TV, entre outros, não pode ser estimada, pois até a presente data a indústria do óleo continua com os pagamentos para que aconteçam fatos como aquele cozinheiro no seu programa de  culinária, disfarçadamente, de passagem,  aconselhe com inocência: “Use de preferência azeite de oliva nesta receita. Eu estou usando o óleo de canola que é o mais saudável que existe.”  Atenção para o “de canola”. Isso faz o desavisado pensar que canola é uma planta. Toda vez que alguém publica algo e menciona “de canola” ganha um jabá da indústria do óleo. 

Pode se ver a proibição de se usar o canola em alimentos infantis no GRAS emitido pelo FDA. Mas isso foi no século passado. Hoje tudo está liberado e a propaganda diz que “alimento infantil saudável é feito com canola”. 

Se o leitor estiver interessado em conhecer todos os bastidores  dessa história nojenta – inclusive com os nomes dos envolvidos - acesse os links  no fim da página.

Adendo 2015-2020

Finalizando, um rápido olhar sobre os desdobramentos dessa novela do óleo de colza.  Considerada como erva daninha que se espalhava como praga, depois que foi cultivada em larga escala para se extrair o óleo, para ser rentável precisou dos mesmos cuidados que as outras culturas, tais como soja e milho. Um dos cuidados foi eliminar o mato que cresce junto do cultivar. 

Há mais de meio século existem os herbicidas para matar o mato e ervas daninhas. O principal deles é o RoundUP, da Monsanto. Todos são baseados no N-(fosfonometil)glicina -  GLIFOSATO.  Quando a patente da Monsanto expirou em 2000, o produto ficou disponível para as outras empresas e hoje existem centenas de glifosatos no mercado. Desse modo, os agricultores usam o herbicida como uma forma prática de matar ervas daninhas. 

Ao pulverizar o glifosato, ele geralmente penetra na planta através das folhas,  a partir daí, ele viaja de célula em célula e se espalha por caule, raízes e sementes, infectando toda a planta. Então ela morrerá porque o glifosato interfere no sistema crucial de produção de enzimas impedindo a planta de criar as proteínas necessárias a sua subsistência. Veja que esse veneno não é seletivo: pulverizou em qualquer planta, ela morre. Raras  espécies são imunes ao seu efeito.

Acontece que o mato e as ervas daninhas, com o passar dos anos tornam-se resistentes ao herbicida. Assim é preciso utilizar dosagens cada vez maiores. E  com o tempo o produto não mais surte efeito.  Além disso,  uma grande porção do produto persiste no solo por meses. Isso significa que ele pode prejudicar outras plantas, além de viajar para raízes de plantas que não foram pulverizadas.

O mundo se banhou com glifosato por décadas. E agora cerca de 80% da população mundial possui tal produto  em sua corrente sanguínea. Um veneno que mata plantas não pode ser considerado seguro. Portanto ele causa doenças também em animais. Todos os estudos nesse sentido com pesquisadores sérios e independentes são abafados. O que sobra é a mídia e cientistas comprados pela indústria, afirmando que não existe problema com ele. Mas, veja o rótulo com a caveirinha. É brincadeira?


Recentemente o glifosato foi ligado com uma classe de câncer chamada linfoma não-Hondgkin. Essa ligação vem sendo debatida desde 2015 e continua sendo testada por cientistas. Uma revisão de 2019 publicada por pesquisadores independentes examinou dados de vários estudos sobre os potencias efeitos cancerígenos do produto químico e descobriu que trabalhadores expostos às maiores quantidades desse produto tinham um risco 41% maior de desenvolver esse câncer.

Mas e a colza?  Suas plantações também estavam sendo invadidas por ervas daninhas. Para  viabilizar o uso de herbicidas em suas culturas sem matar a colza, a Monsanto criou sementes geneticamente modificadas (GMO) que deram vida a uma colza resistente ao glifosato. Ao pulverizar  as plantas, o matinho morre (morria) e a colza nada sofre. Mas espere: ela está encharcada de veneno que vai  se espalhar por toda a planta, inclusive em suas sementes, que fornecerão um óleo contaminado com glifosato em doses altas. O “saudável” óleo canola, além de conter ácido erúcico e hexano, dá de brinde o glifosato.



Ao testar sementes de colza para criar uma variedade resistente ao glifosato, a Monsanto também criou duas variedades de sementes de uma colza extremamente tóxicas. Essas cepas foram destinadas a destruição, mas, sem ninguém saber como ou quem foi, elas foram vendidas  e semeadas por agricultores americanos.  A própria Monsanto, em abril de 1997,  divulgou isso, quando fez o recall para tais sementes. O recall envolveu 60.000 sacos contendo dois tipos de sementes de colza, o que era suficiente para plantar mais de 280 ha de terra. As implicações deste erro são graves. O povão somente vai se preocupar com isso quando as manipulações genéticas se perderem — e enlouquecerem nos campos, afetando a alimentação de todos.


Os campos plantados com a colza GMO forneceram o seu pólen que contaminou outras lavouras, se hibridizando com a colza natural. Resultado: hoje esta quase desapareceu. O que existe é a colza GMO e as duas variedades venenosas que escaparam das plantações originais. Vários fazendeiros no Texas que plantam colza relatam que na colheita verificam que existiam três variedades na plantação.

Conclusão

Chegamos a 2020 comprovando quatro verdades capitais: a primeira é que uma mentira  repetida mil vezes passa a ser verdade. Principalmente se utilizar a TV e mídia visual. De tanto martelar a cabeça das pessoas, o mundo desavisado acredita piamente que existe uma planta chamada canola e que o “óleo de canola é o mais saudável”. Acredita ainda que gorduras monossaturadas são prejudiciais à saúde. 

Quando não dá para escapar, como no caso da Espanha, eles inventam algo para tirar a atenção  da colza. No caso, ninguém fala nela, mas sim em “síndrome do óleo tóxico TOS”. E a imprestável e facciosa Organização Mundial da Saúde, bate e rebate na tecla de que essa tragédia foi causada por tomates tratados com pesticidas. A mensagem é: “esqueçam a colza, pois precisamos vender o óleo”. 

E a mídia mundial repercute sem cessar  avisando que “tudo que se fala contra o canola é lenda urbana, teoria da conspiração, fake news”. Por exemplo, em um artigo no Washington Post, Robert L. Wolke declarou que os editores desses relatórios estão espalhando “lendas urbanas histéricas sobre doenças bizarras”. E a indústria avisa: “não usamos mais o hexano e a extração agora e feita a frio”. Acredita quem quiser. Um rolo compressor difícil de parar. Ponto final.

A segunda verdade é a máxima criada por LR Hubbard, o fundador da cientologia: “A verdade é aquilo em que cada um acredita.” Ou seja, se você acredita em lobisomens eles existem. Para você. E essa crença interfere em sua vida. E se você for imbecil, vai interferir na vida de terceiros.

Como corolário pode-se citar Einstein: “Aquilo que o homem ignora não existe para ele. Portanto o universo de cada um se resume ao tamanho de seu conhecimento.” 

A terceira verdade é que as indústrias (alimentícia, farmacêutica, etc) têm como objetivo principal o lucro. O fator humano tem pouquíssima importância. Ou seja, morrer ou adoecer faz parte do andamento da natureza. Se algo ajuda nisso,  ninguém se preocupa.

A quarta  verdade é aquela que declara que os imbecis vão dominar o mundo. Já dominaram.

Para refletir:

Os problemas do mundo existem por se utilizar VOTAÇÃO  para escolher legisladores e governantes. Somente são escolhidos imbecis,  insipientes e bandidos.  Sabendo-se a causa pode-se encontrar a cura.
É isso!

LINKS:
https://www.westonaprice.org/health-topics/know-your-fats/the-skinny-on-fats/
https://www.westonaprice.org/health-topics/know-your-fats/the-great-con-ola/
http://www.westonaprice.org/health-topics/saturated-fats-and-the-lungs/
https://www.westonaprice.org/health-topics/know-your-fats/good-fats-bad-fats-separating-fact-from-fiction/
http://www.eatingdisorderpro.com/2012/03/02/omega-fatty-acids-explained/
https://www.westonaprice.org/health-topics/know-your-fats/cholesterol-friend-or-foe/
https://www.westonaprice.org/oiling-of-america-in-new-york/
http://www.westonaprice.org/health-topics/abcs-of-nutrition/folic-acid-glyphosate/
https://www.sdadefend.com/MINDEX-C/Canola.pdf
https://www.westonaprice.org/health-topics/know-your-fats/why-butter-is-better/
http://www.sdadefend.com/MINDEX-C/Canola.pdf
http://www.sdadefend.com/MINDEX-D/Dennis-Canola1008.pdf
http://www.sdadefend.com/MINDEX-D/Oil-Health.pdf
https://www.academia.edu/4541024/50_HARMFUL_EFFECTS_OF_GENETICALLY_MODIFIED_GM_FOODS
https://www.comprerural.com/o-que-e-glifosato-saiba-mais-sobre-esse-herbicida/
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3551118/
https://www.accessdata.fda.gov/scripts/cdrh/cfdocs/cfcfr/CFRSearch.cfm?fr=184.1555





8 de mar. de 2022

UMAMI: será que você é mais um pato dos idiotas da Internet?

 Se Pensasse não Seria

05/03/2022

LVallejo

Assim como o ser humano possui 4 receptores para cores e pode enxergar milhões de combinações de cores, o seu paladar possui  receptores para 4 gostos distintos: doce, salgado, amargo e azedo. 

Mas a combinação de gostos detectados por esses receptores também são milhões. Por exemplo, quando se come uma sardinha frita, obviamente salgada e temperada, e coloca-se algumas gotas de limão nela, vai-se sentir um sabor único proveniente dessa combinação. Grosso modo combinamos algo salgado com algo azedo. 

Por outro lado, se a comida for um cheese cake de limão, ou um suspiro feito com limão, grosso modo, teremos agora uma combinação de doce com azedo, que, novamente proporcionará um sabor único.

Aqui vai a pergunta: qual é o nome que se dá a esses sabores? Ou seja, qual é o nome do sabor da sardinha frita, temperada com limão? Ou o nome do sabor do cheese cake ou do suspiro? Ou o nome do sabor de um frango assado? Ou de uma lasanha?

Lógico que tais sabores não possuem nome. Não se pode dar um nome para cada um dos milhões de combinações dos 4 gostos. Dizemos apenas que tal comida é saborosa, deliciosa, gostosa, etc.

Pois é isso exatamente o que significa UMAMI em japonês. Gostoso, saboroso, delicioso, nutritivo. Um  mero adjetivo que em japonês pode ter outros significados, tais como carnudo e ensopado. No Japão se a pessoa gostou muito de uma comida pode elogiar usando a palavra umami: Essas batatas fritas são umami;  esse hamburger é umami, etc.

Porém, um idiota com acesso a internet pode tudo. Lembrando Nelson Rodrigues – os idiotas vão dominar o mundo. Não por capacidade, mas por quantidade. Eles são muitos – descobrimos que um desses resolveu que umami seria um "quinto gosto". Espalhou pela rede e hoje  os seguidores dessa bobagem são um exército, inclusive com pessoas ligadas aos alimentos defendendo a asneira. 

A história começa em 1908, conta-nos o prof. Bruce Halpern,  quando um químico japonês chamado Ikeda extraiu de algas marinhas um único sal de ácido glutâmico, comumente conhecido como glutamato monossódico, ou MSG. Quando Ikeda publicou suas descobertas, ele descreveu esse composto saboroso utilizando o termo “umami”. 

O Prof. Harry Lawless, cientista de alimentos, explicou que o conceito de umami foi modificado em sua definição nas culturas ocidentais e muitos pesquisadores abraçaram a ideia de que era um “quinto gosto”, apesar de ninguém jamais ter sentido tal  gosto ou ter definido exatamente que gosto era esse, como qualquer pessoa faz com o doce, salgado, amargo e azedo.

Por essa razão os cientistas sérios batem o pé determinando que somente existem esses quatro gostos e o quinto gosto é uma fraude.

Os defensores da ideia do quinto gosto, sem ter explicações plausíveis ou qualquer evidência científica disso, defendem seu ponto de vista, dizendo que essa é uma descoberta nova e quem a combate são antiquados e ultrapassados. Realmente uma defesa frágil e pueril.

Coloquem uma sardinha frita com limão na boca e digam onde está o umami. Coma um bolo de chocolate e digam onde está o umami. Deguste uma picanha na brasa e diga onde está o umami. Veja que, para ser um "quinto gosto", deve ser igual em qualquer comida, tais como o doce, salgado, azedo e amargo.

Se você come um bolo de chocolate, sabe que tem um sabor doce predominante. Se come uma costeleta de porco com molho barbecue, vai sentir o doce, salgado e o azedo do vinagre. O doce da costeleta é o mesmo do bolo de chocolate. Isso é identificado por seu cérebro e qualquer um sabe disso, sem precisar de comprovação.

Todos os defensores deste “quinto gosto” são fabricantes de MSG. Esse produto químico está presente em 90% das comidas industrializadas. Esses fabricantes não querem perder tal mercado de modo algum. A teoria do umami como gosto surgiu depois que estudos sérios provaram que o MSG é cancerígeno. O gosto umami foi estratégia de defesa criada para manter o mercado.

Se o leitor procurar a definição de umami como quinto gosto vai encontrar sempre algo vago, indefinido. Eis uma: 

“Foi estabelecido que umami, que é o sabor do glutamato monossódico, é um dos cinco sabores básicos reconhecidos. O gosto umami é frequentemente descrito como um sabor de carne, caldo ou salgado, e é independente dos quatro sabores básicos tradicionais – doce, azedo, salgado e amargo.”

Para você não ser mais um enganado na imensa massa de carneiros estúpidos, pense nos quatro gostos que todos conhecem e que acompanham o homem desde seu aparecimento na terra.  Primeiro pense porque somente depois de mais de 100 mil anos é que o ser humano descobriu um novo gosto. Se ele existia, então deveria ser como os outros, perfeitamente identificável e detectável e há muito teria sido relatado.

Agora pense que se você der uma colherada de açúcar ou mel para qualquer pessoa  vivente, todas sentirão o mesmo gosto e todas serão capazes de descrevê-lo perfeita e similarmente. Assim também com os outros gostos: salgado, amargo e azedo. Todos saberão identificar o azedo do limão e todos terão a mesma sensação.

Isso é ciência: uma experiência que pode ser repetida ad infinitum e sempre apresenta resultado idêntico, independente que qualquer outro fator.

Resumindo qualquer pessoa pode sentir e descrever da mesma forma os quatro gostos, independente da pessoa ou do que se está ingerindo.

Mas com o "quinto gosto" isso é diferente. Depende da pessoa e da comida para ser sentido. Não pode ser definido. Está em quê carne? Em quê caldo? Se parece com quê? Se você come picanha e sente um gosto estranho e diz que é "umami" e me dá um pedaço da mesma carne  e eu não sinto nada de diferente, quem está certo? Como provar as duas afirmações? 

Se você come uma picanha e diz que está salgada, e eu como um pedaço da mesma carne, vou saber se está ou não salgada. Pode-se testar com outras pessoas e todas saberão dizer que grau de sal ela contém. 

Então por analogia, o umami sendo o "quinto gosto", também deveria ser identificado dessa forma. Se alguém for tentar provar isso não conseguirá por uma razão simples: umami é uma palavra e não um gosto. A lógica e o bom senso declaram que "umami gosto" não existe. E fim de papo!

A lição que mais uma vez aprendemos, ao notar esses milhões de despreparados filmando e se filmando e postando na internet, é dada pelo escritor Umberto Eco, que disse que a verdadeira catástrofe não é a postagem de bobagens na Internet por medíocres, mas sim os milhões de imbecis que perdem tempo vendo e acreditando em tais idiotices. Patos da Internet!!!

LV


Vivemos prisioneiros dentro de bolhas

 Teoria das Bolhas

02/02/2022

LVallejo


Existem centenas de trabalhos de psicólogos americanos  sobre o assunto. Em resumo, para as pessoas leigas, pode-se dizer que “bolha”  nesse sentido significa a criação de uma carapaça virtual, um sistema de escudos mentais que a pessoa dispõe em volta de si para, na sua opinião, ter um ambiente de vida adequado com suas necessidades e de acordo com seus conhecimentos e crenças. É um campo, uma situação, um ambiente, uma sensação, algo que alguém cria à sua volta para que possa se sentir bem, confortável e acolhedor.

A vida dentro de uma bolha é segura. Ninguém desafia você; ninguém discorda de você; ninguém nunca lhe pede para explicar por que você pensa dessa maneira. Isso pode trazer uma sensação de paz.

Na verdade o estado natural dos eventos da vida de um ser humano é, cada um, ser envolvido em uma bolha. As pessoas buscam encontrar coincidências em tudo o que fazem: no  casamento, ambiente de trabalho, vizinhança e na vida social. O termo técnico para isso é “homofilia”. 


As bolhas em nossa vida se entrelaçam e se justapõem. A própria Terra faz parte de bolhas: a bolha do sistema solar, a bolha da galáxia Via Láctea e a bolha do universo, que envolve tudo. Essas são bolhas científicas com leis e regras precisas, verdadeiramente definidas e nada pode escapar delas. Porém, o homem  cria bolhas que muitas vezes nada tem de verdade ou realidade e vive dentro delas, frequentemente, por séculos a fio. 

A maior bolha criada pelo homem é, sem dúvida, a religião. Porém, atualmente existem bolhas que estão se avolumando e competindo para dominar as outras. A principal delas é a TV. Os que estão dominados por ela perderam completamente a capacidade de raciocinar e concluir, pautando seus conhecimentos pelo que aparece na TV, sem questionar se é verdade, se há manipulação por quem a dirige e até mesmo se a TV é comandada por algo ou alguém. O dom da TV é fazer com que se acredite nela sem qualquer objeção. E se acate, respeite e venere quem apareça nela. A TV não passa de uma verdadeira e mais potente droga psicológica criada.  A grande perda desse processo é a diminuição acachapante da capacidade mental das pessoas dessa bolha. Veja detalhes sobre a TV em “O Brilho que cega”

Entre outras bolhas importantes podemos listar a bolha tecnológica, com mais e mais pessoas cercando-se de gadgets como smartphones, iPhones, iPods, iPads, tablets, computadores, telas, jogos de computador, etc. Basicamente, as pessoas preferem passar mais tempo em frente a uma tela jogando ou relaxando aumentando seu processamento visual e diminuindo seu processamento racional, em vez de ficar com os outras pessoas ou fazendo algo útil. Todos eles sabem que "é tudo virtual" e quando algo dá defeito percebem: Uau, tudo pode desmoronar! Um novo smartphone está saindo. Um novo par de fones de ouvido mais caros e uma nova versão de um jogo para PC / jogo X-box estão sendo lançados, e você precisa deles. Coisas virtuais como jogos, filmes, telas tornam-se “mais reais” do que pessoas, um trabalho, lazer, viagens, etc. 

Importante também é a bolha dos esportes. Uma parcela enorme da população adora assistir e acompanhar os esportes. Na Europa, na América do Sul e cada vez mais nos EUA também, as pessoas seguem e estão entusiasmadas com o futebol. Pagam um preço alto para ir assistir ao jogo de seu time favorito e, na maioria das vezes, perdem. Eles pagam muito dinheiro por um assento, compram as camisetas, o lenço, o chapéu, a revista, etc. Eles checam as notícias a cada 10 minutos para ver se há algo novo. Eles acham que é real a ilusão de que sua vida faz parte da vida do time ou da celebridade, que a equipe existe porque ele torce. Pelo efeito da TV, acreditam firmemente que o jogador que aparece na telinha é seu amigo, lhe conhece, lhe convidaria para lanchar em sua casa. E fica preso ao esporte ou ao comprometimento de ser fã. Existem milhões de pessoas que ganham apenas o suficiente para viver de um dia para o outro e gastam seu suado dinheirinho em um ingresso para o jogo, show ou algo para "apoiar seu time" ou ver um famoso no palco. Eles chegam ao ponto de se tornar inimigos de pessoas que “torcem” por outro time.

Não se pode deixar de mencionar a bolha da moda e a da música. Há algo na moda que atrai a maioria dos jovens. Quando você anda nas ruas, vê todos os tipos de designs e roupas da moda nas pessoas. Quase todo mundo quer fazer uma declaração sobre o que veste. Existe até um anúncio, "A moda somos nós!" e muitos vivem por este código. Eles simplesmente não podem usar certas cores, e isso não combina com aquilo, e não podem sair de casa em horários específicos porque não têm as roupas certas. Quando saem pela porta, parecem superestrelas e atores em filmes ou na passarela. O penteado, as roupas, os sapatos, as bolsas, os brincos, as joias, as “cores que colocam no rosto”, as sobrancelhas, as unhas, os lábios, as tatuagens, os piercings, e todas as partes do ser é cuidadosamente cuidado, projetado, modelado e "hackeado". Mas como as pessoas sabem o que está na moda? Pela TV. Pelo que a criação mais nefasta da TV, a “celebridade”, está usando. Basta imitar. Para isso não e necessário ter cérebro.

Na bolha da música – que realmente nada tem de “música” - as pessoas raramente ouvem ou assistem algo. Elas precisam estar “plugadas”, precisam estar em uma lista de reprodução cuidadosamente selecionada e tocada repetidas vezes, para que as melodias muito conhecidas soem em seu ser…. Crianças e jovens, os jovens que ainda não têm emprego nem sabem ganhar a vida, todos estão em dia com o que há de mais moderno na música e ouvem de tudo. A música é uma grande bolha - sempre que há um tempo livre ou um momento chato, os fones de ouvido entram e a música toca. É uma droga que as pessoas adoram tomar tanto publicamente quanto individualmente. Mas o que a bolha da música oferece não é essencialmente música. O que elas chamam de musica é uma ferramenta de alienação psicológica, cuja única finalidade é a comercialização e o lucro. 

Tais bolhas, pois, estão dominando e viciando as pessoas, tornando-as cada vez mais imbecis, cretinas e insensatas.  É quase como se as pessoas não usassem "substâncias alucinógenas físicas", mas corressem atrás de drogas psicológicas e autoproduzidas oferecidas por um estilo de vida em que definitivamente a vida humana não importa. 

Existem tantos outros tipos de bolhas, incluindo religião, filosofia, trabalho, dinheiro, sexo, álcool, drogas, festas, gangues, etc. 

Resumindo, uma bolha é uma situação da vida.  E as bolhas têm suas regras que apresento aqui como fruto de minhas observações do cotidiano.

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REGRA  Nº1

O Homem é um ser gregário, portanto, ao se ajuntar com outros formando uma comunidade, automaticamente cria bolhas e se insere nelas. Assim pode-se notar a existência de bolhas como as da família, religião, trabalho, preferências particulares, etc. E uma bolha pode conter sub-bolhas e se entrelaçar com elas. A vida é levada normalmente quando as  bolhas que encerram uma pessoa são todas equivalentes e nenhuma delas se sobrepõe às outras. Então a primeira regra é a seguinte:

“A vida de uma pessoa é regida por várias bolhas, que podem se unir, sobrepor, dividir e sofrer interseção.”

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REGRA Nº 2

Consideremos que alguém seja torcedor do Flamengo. Isso significa que está inserido na imensa bolha genérica chamada de “Torcida de Futebol”. A bolha da “Torcida do Flamengo” é uma sub-bolha específica  da bolha genérica “ESPORTES”. Digamos agora que outra pessoa que também torce pelo Flamengo – e faz parte dessa bolha – seja mais entusiástico por natação. Nesse caso temos uma interseção de duas bolhas: a de Torcida de Futebol e dos Torcedores de Natação. Como a bolha do futebol é imensamente maior que a bolha da natação, com o passar do tempo o indivíduo pode ficar totalmente influenciado pela primeira e abandonar quase que completamente a segunda. 

Outro exemplo é  aquele indivíduo que tem várias bolhas em sua vida: a da família, do trabalho, dos amigos, da religião, do futebol, etc. Então, numa determinada época se insere em uma nova bolha: do “Vício em Drogas”. Aos poucos esta bolha iniciante se agiganta e faz com que as outras bolhas de sua vida se apaguem e no final somente ela gerencia os atos de sua vida. 

As ações de uma pessoa bem como as consequências de eventos da sua vida são pautadas pelas diretrizes emanadas das bolhas. Quando uma bolha se torna predominante a tendência é restringir aos poucos a influência das outras bolhas da sua vida, tornando-as quase inócuas ou eliminando-as totalmente.  

Eis a segunda regra:

“Em caso de bolhas entrelaçadas e compartilhadas, uma bolha, ao se agigantar, torna-se predominante, enfraquecendo sistematicamente a influência de outras bolhas podendo causar até mesmo o desaparecimento de algumas ou de todas as bolhas do mesmo compartilhamento.”

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REGRA Nº 3

Essa é a regra de ouro das bolhas.  A religião é perfeita para ilustrar essa regra. Supondo que uma pessoa A tenha uma religião e a pessoa B tenha outra religião. A  pessoa A ataca a religião da pessoa B e vice versa. Ambas apontam as falhas que acreditam que a religião do outro tem, mas não aceitam que sua bolha esteja errada.

“Quem está dentro de uma bolha não consegue ver defeitos em suas regras, mas percebe perfeitamente defeitos em bolhas de outras pessoas, que estejam fora da sua.”

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REGRA Nº 4

Asinus asinum fricat . Os burros aplaudem o burro. Esse ditado Romano explica que pessoas da mesma qualidade aprovam as pessoas que são semelhantes a elas. Ou seja, os burros não aplaudem outros bichos, aplaudem somente os burros. Então aqueles que estão em uma bolha, aplaudem aprovam, imitam e defendem os que estão dentro da mesma bolha. 

“Os integrantes de uma bolha sempre estarão prontos a apoiar e incentivar todos  os que fazem parte dela, quando se trata de seguir e manter as regras da bolha.”

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REGRA Nº 5

A tendência de uma pessoa dentro da bolha é acreditar – ter fé – em suas regras e não admitir qualquer crítica a elas. Portanto fica difícil para alguém de fora, mesmo que apresente provas, convencer tal pessoa de falhas ou erros em sua crença. Tente fazer um torcedor de qualquer time a torcer para outro. Impossível, certo?

“Ninguém externo a uma bolha pode conseguir fazer com que uma pessoa abandone sua bolha.”

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REGRA Nº 6

Às vezes você vive sua vida de certa maneira, e então algo acontece, e você percebe que tem vivido em uma mentira, que as regras de sua bolha são falhas e que a realidade agora vem mostrar como elas eram vazias e sem sentido. Qual foi o acontecimento que detonou essa mudança e essa nova percepção?

Esse é um evento que não tem definição e existe uma expressão que pode dar pistas de suas características: “A ficha caiu”.  Ou seja, é aquele momento que a pessoa vê a realidade como ela é e não como a bolha em que ela estava a apresentava. 

Um exemplo verídico: Um pai é avisado que seu filho de 12 anos foi visto entrando numa boca de fumo. Depois de dar uma dura no filho, que negou tudo, acredita nele e corta relações com a pessoa que tinha dado o aviso. Um ano depois, o menino está consumindo drogas pesadas e o pai fica sabendo da realidade. Nesse momento “a ficha caiu”. Tarde demais. O pai vai passar o resto de sua vida gastando dinheiro em clínicas de recuperação e o filho vai se tornar um adulto inútil incapaz.  

Os laços da bolha familiar foram mais fortes e o pai acreditou no filho  sem duvidar. Se tentasse se desvencilhar de um laço daqueles e se perguntasse: “E se meu filho estiver mentindo?” e, com essa dúvida fosse esclarecer  se ele estava ou não fumando maconha, descobriria a verdade e o menino estaria salvo. Somente se fazendo tais perguntas, tendo dúvidas, é que se pode abandonar uma bolha.

“A pessoa somente abandona uma bolha se ela for absorvida por outra bolha ou por convencimento próprio de que os conhecimentos de sua bolha estão errados.”

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REGRA Nº 7

A bolha predominante na vida de uma pessoa vai fornecer as regras e normas que vão pautar sua existência.  Por isso sempre vão existir pessoas  com ideias e procedimentos bem diversos de outros grupos. E os laços das bolhas são extremamente fortes. 

Por exemplo, quando perguntaram a Einstein o que ele achava das leis da mecânica quântica que tratavam o universo como probabilístico (o acaso é quem regia os eventos) ele respondeu: “Deus não joga dados.”  Ou seja, mesmo diante das provas cientificas, sendo ele mesmo um cientista, ele preferiu  a continuar com sua crença no determinismo (tudo acontece programado por Deus). Não teve convicção suficiente para quebrar com os laços da bolha dominante.

“Se por meios não racionais uma pessoa adquire conhecimentos, falsos ou verdadeiros,  advindo de uma bolha ou de suas regras, ela não consente em mudar tais conhecimentos através de argumentação lógica.”

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REGRA Nº 8

No livro do Eclesiastes, bíblia antiga de 1950, existia o seguinte versículo (hoje foi mudado, ou seja, a “palavra de deus” pode estar errada e pode ser corrigida pelos homens): 

“O perverso dificilmente se corrige e o número de tolos é infinito.” (Ecl. 1,15)

Para o fanático dentro de uma bolha que regula seu fanatismo praticamente não existe  modo prático para trazê-lo de volta à razão e abandonar o seu fanatismo. O que acontece com ele foi magistralmente definido por L. Hubbard, o fundador da cientologia: 

“A verdade é aquilo que cada um acredita.”

A crença é fé, o sinônimo de conhecimento sem comprovação e inimiga feroz da razão e da lógica. Pela regra anterior, um conhecimento adquirido sem comprovação não poderá ser destruído através de evidências.  Por exemplo, não será encontrada uma evidência ou prova suficiente para que uma pessoa que foi levada a crer em vampiros, lobisomem ou sereias abandone sua crença. 

“ Utilizando-se de meios racionais, é impossível  tentar convencer um fanático a abandonar sua bolha.”

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REGRA Nº 9

Todos nós já vimos nos noticiários, a cena de uma mãe chorando pelo filho bandido morto pela polícia. O sujeito era traficante, violento na comunidade onde vivia, uma carreira de assassinatos e roubos e morreu trocando tiros com a polícia, “Ele era bom, era boa pessoa, era trabalhador, não fazia mal a ninguém. Pergunte ao seu tio e a sua madrinha, que vão confirmar que ele era do bem” se desespera a mãe diante das câmeras. 

Isso significa que a mãe presa a bolha da família e maternidade não enxergava o filho como um mau elemento apesar de saber que toda a vizinhança comentava que ele era bandido da pior espécie. Só os familiares o consideravam bom.

“Toda bolha obriga o seu participante a rejeitar violentamente as críticas e acolher de bom grado os elogios, aplausos e bajulações sobre ela.”

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REGRA Nº 10

Reconheça que você não está certo sobre tudo. Você pode estar totalmente errado. Ou parcialmente errado. 

“Para sair da bolha é preciso SEMPRE, a todo instante e antes de  qualquer decisão, se fazer a pergunta mágica: E SE EU ESTIVER ERRADO? ”

O problema com essa regra é que o integrante da bolha JAMAIS acha que está errado. Logo não vai se fazer tal pergunta. Caso o faça, não poderá utilizar os conhecimentos advindos da sua bolha, pois dentro dela não haverá argumentos apontando erros.

Porém há um truque para contornar tal problema: o integrante da bolha deverá procurar provar que está certo UTILIZANDO OS ARGUMENTOS DE OUTRAS BOLHAS que são contrários aos da sua.

Por exemplo, suponhamos que um sujeito chamado Jeca esteja na bolha das superstições e acredite que gato preto dá azar. Nessa bolha estão milhares de pessoas. Jeca jamais vai pensar que está errado e conta com o apoio desses milhares. Caso ele comece a analisar os argumentos dos que não acreditam nisso – estão fora de sua bolha – poderá ter acesso ao contraditório e, se for esperto o suficiente, poderá comparar tais argumentos externos com os seus, advindos da bolha a que pertence. 

Quando toma essa atitude, imediatamente surge um portal na bolha. Através dele poderá ter acesso às outras bolhas. Caso faça isso com lógica e isenção, chegará a uma de duas conclusões. Pode racionalmente confirmar suas teorias e assim convencer a muitos que gato preto dá azar. Ou o contrário. Ao invés de convencer os externos, ele é  que se convence que estava errado. Nesse momento, pelo portal estabelecido, consegue escapar da bolha do gato preto.

LV

27 de mai. de 2020

Para relaxar: Malba Tahan e o Problema dos Camelos

O Problema da Herança dos Camelos

L Vallejo
02/03/2013
O interessante problema foi extraído de uma das obras do talentoso engenheiro e professor de Matemática, além de  prolífico escritor Júlio César de Mello e Souza, que escreveu mais de cem obras, muitas delas abordando o lado recreativo e histórico da Matemática. Seu nome é, no entanto, pouco conhecido. A razão é que ele assinou a maioria de suas obras com o pseudônimo de Malba Tahan.


Eis o problema:

No seu livro "O Homem que Calculava" o herói, o matemático Beremiz Samir, viajava com um amigo pelo deserto, ambos montados em um único camelo, quando encontram três homens discutindo acaloradamente. 

Eram três irmãos. Haviam recebido uma herança de 35 camelos do pai, sendo a metade para o mais velho, a terça parte para o irmão do meio e a nona parte para o irmão mais moço. O motivo da discussão era a dificuldade em dividir a herança:
- O mais velho receberia a metade. Acontece que a metade de 35 camelos corresponde a 17 camelos inteiros mais meio camelo!
- O irmão do meio receberia a terça parte, ou seja, 35 dividido por 3, o que resulta em 11 camelos inteiros mais 2/3 de camelo!
- O caçula receberia a nona parte de 35 camelos, ou seja, 3 camelos inteiros e 8/9 de camelo!
Naturalmente, cortar camelos em partes para repartir a herança seria destruí-la. Ao mesmo tempo, nenhum irmão queria ceder a fração de camelos ao outro. Mas o sábio Beremiz resolveu o problema. Vejamos o que ele propôs:
- Encarrego-me de fazer com justiça essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui vos trouxe.
Os camelos agora são 36 e a divisão é fácil:

        - o mais velho recebe: ½ de 36 = 18, que é mais que 17 e 1/2

        - o irmão do meio recebe: 1/3 de 36 = 12 que é mais que 11 e 2/3

        - o caçula recebe: 1/9 de 36 = 4 que é mais que 3 e 8/9

Os irmãos nada têm a reclamar. Cada um deles ganha mais do que receberia antes. Todos saem lucrando.
Todos lucraram? E nosso herói Beremiz que perdeu um camelo?
Ouçamos de novo nosso matemático:

- O primeiro dos irmãos recebeu 18, o segundo, 12 e o terceiro, 4. O total é 18 + 12 + 4 = 34 camelos. Sobram, 2 camelos. Um deles pertence a meu amigo. Foi emprestado a vocês para permitir a partilha da herança, mas agora pode ser devolvido. O outro camelo que sobra, fica para mim, por ter resolvido a contento de todos este complicado problema de herança.
Eis, então o intrigante mistério! Os três irmãos lucraram e Beremiz também! Como isso é possível? De onde surgiu o camelo "a mais"?

SOLUÇÃO:
(por L. Vallejo)
 
O mistério é a utilização de uma falácia matemática, ou seja, uma divisão proporcional onde as partes somadas não perfazem o todo. Explicando melhor:

Digamos que você tenha que repartir um bolo. Nesse caso, o “todo” é o bolo, ou seja, o total daquilo que vai ser repartido.
Digamos que você reparta o bolo da seguinte forma: Um terço para seu pai, um terço para sua mãe e um terço para sua avó.


Então temos:
1/3  + 1/3  + 1/3 = 3/3   =   1
Ou seja, a soma das frações em que o bolo será dividido é 1. Isso quer dizer se juntarmos as partes divididas teremos o todo novamente, ou seja 1 bolo.






 



Agora digamos que o bolo deve ser repartido da seguinte forma:

Um quarto para seu pai, um quarto para sua mãe, um quarto para sua avó e um quarto para seu tio.  





Então temos:
1/4  + 1/4  + 1/4  + ¼  =  4/4   = 1
Ou seja, a soma das frações em que o bolo será dividido é 1. Isso quer dizer se juntarmos as partes divididas teremos o todo novamente, ou seja 1 bolo



 



Mas, se você determinar que o bolo deve ser repartido da seguinte forma: Um terço para seu pai, um terço para sua mãe e um quarto para sua avó, acontecerá o seguinte:

Então temos:
1/3  + 1/3  + 1/4   = 11/12   diferente de 1
Agora, se juntarmos as partes divididas não teremos o bolo reconstituído. Vai faltar uma fatia (a fatia verde)
Isso significa que você determinou dividir o bolo de uma maneira tal que ao se separar os pedaços ainda vai sobrar uma fatia de bolo. Ou seja, sua repartição não dividiu o bolo inteiro. Deixou sobra.
Essa sobra neste exemplo é equivalente a 1/12 do bolo

A mesma coisa ocorre com os camelos do problema.

O modo como o pai mandou repartir deixa sobra:
½ + 1/3 + 1/9 = 17/18
A parte azul, que falta para completar o bolo, é igual a:
1  -  17/18  =  1/18

Essa é, portanto, a sobra quando se divide a herança da forma estipulada, ou seja, metade mais um terço mais um nono.




Quando se adiciona um camelo ao espólio de 35, tem-se um total de 36 camelos.
Se a repartição for feita sobre 36 camelos e não 35, o resultado será:
a) 36 ÷ 1/2 = 18
b) 36 ÷ 1/3 = 12
c) 36 ÷ 1/9 =   4
Mas, somando-se as partes de cada um:
18 + 12 + 4 = 34
Verifica-se que sobraram 2 camelos (36  - 34  = 2 )
Veja que esta é a sobra prevista de 1/18. Ou seja 1/18 de 36 = 2

Na visão dos herdeiros, parece que levaram vantagem, mas, na visão do espólio, não.
Vejamos:
a) 35 ÷ 1/2  = 17  1/2
b) 35 ÷ 1/3  = 11  2/3
c) 35 ÷ 1/9  =   3  8/9
Somando-se as partes:
17 ½ + 11 2/3 + 3 8/9 = 33 1/18
Como são 35 camelos, então restou no espólio:
35 - 33 1/18 = 1 17/18 ou 35/18

Mais uma vez, note que esta é a sobra prevista de 1/18. Ou seja 1/18 de 35 = 35/18

Como o modo de partilha não dividia o todo, cada um recebeu uma parte e ainda sobrou algo no espólio, ou seja 1 17/18 de camelo, quase dois camelos, que, a rigor deveriam ser partilhados também entre os herdeiros.

Então, se isso fosse feito, os herdeiros teriam que receber a mais:
a) 35/18 ÷ 1/2 = 35/36
b) 35/18 ÷ 1/3 = 35/54
c) 35/18 ÷ 1/9 = 35/162

Então os recebimentos ficariam assim:
a) 17 ½ + 35/36   = 18  17/36 (ou seja 18 camelos e quase meio camelo a mais)
b) 11 2/3 + 35/34 = 12 17/54 (12 camelos e mais quase 1/3 de camelo)
c) 3 8/9 + 35/162 = 4 17/162 (4 camelos e mais quase 1/9 de camelo)
Portanto os herdeiros perderam ao abrirem mão das frações que lhes eram de direito.

Na partilha feita pelo esperto:
a) 35 ÷ 1/2 = 17 1/2
b) 35 ÷ 1/3 = 11 2/3
c) 35 ÷ 1/9 =   3 8/9
Sobra 1 17/18 camelo. Juntando-se mais um, tem-se: 2 17/18 ou 2 34/36. Deve-se então retirar daqui o que é necessário para completar o numero de camelos da cada um, ou seja, 18, 12 e 4.
A Conta é essa:
a) temos 17 ½   - para 18 faltam 1/2
b) temos 11 2/3 - para 12 faltam 1/3
a) temos 3 8/9   - para  4 faltam 1/9

Então do que sobra, vamos retirar essas parcelas:
2 34/36 - (1/2 + 1/3 + 1/9) =
2 34/36 - 34/36 = 2
Então sobraram 2 camelos.
 

Fim do mistério
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9 de dez. de 2019

Star Trek A Nova Geração - Uma grande josta

Energizing... Engage !

Será que você  é Deus, Picard?


Neste final de outono de 2019 terminei de ver a série completa “Star Trek – The New Generation”   (STNG) ou "Jornada nas Estrelas – A nova Geração".  A duras penas, uma verdadeira tortura, diga-se de passagem. Explicando:

Em 1965 foi lançado o seriado “Lost in Space” (Perdidos no Espaço) que obteve um grande sucesso. Era a história de uma família que tentava sobreviver em um planeta estranho, onde tinham caído.  O público deu audiência por se ter ligado em 3 personagens: o menino, um robô e o famoso covardão sem qualquer escrúpulo, o Dr. Smith.  Quem pensava que assistiria os problemas de sobrevivência no espaço se enganou, pois a série descambou para a comédia pastelão sem qualquer outra pretensão.
Isso porém, abriu uma brecha para filmes de exploração espacial e um ano depois, em setembro de 1966, estreia a série “Star Trek”  - ST - (Jornada nas Estrelas) que, mesmo com um  orçamento reduzido,   fez razoável sucesso em suas 3 temporadas. Após o  término da série, tornou-se “cult” criando uma legião de fãs  - eu incluso -  e empolgando toda uma geração.

O que causou impacto nos adolescentes – como eu – para que a série se tornasse “cult”? Em 1966, no Brasil, sem incluir as capitais, não havia tecnologia a serviço do cidadão. No interior do país não havia telefone para todos: uma linha telefônica era um objeto de desejo, caríssima e difícil de se obter. E quando se era contemplado com uma linha, a espera para sua instalação era de meses. Não havia redes de TV. No interior, a prefeitura instalava uma torre de retransmissão para alguns canais. Por exemplo, na minha cidade se retransmitia apenas a TV Globo e a Tupi do Rio de Janeiro. Estavam começando a surgir os rádios portáteis. Uma grande novidade. Fotografia era com filme e máquinas caras. Pouca gente tinha uma “máquina fotográfica”.  Computador, celular, câmeras de vídeo, vídeo tape, tv por satélite, tv em cores. CD, DVD, nem pensar.

Assim ficamos deslumbrados com a tecnologia existente na nave Enterprise, deixando antever o que o futuro estava nos reservando.  O objetivo da produção, além de mostrar os avanços tecnológicos, era por os humanos em contato com o espaço e tudo o que nele podia existir. E, se nos encontros com aliens houvesse necessidade  de lutar, o capitão Kirk não deixava barato: ferrava todos que mexessem com ele. E era isso que nós, os adolescentes de 1966, criados sem TV, queríamos ver acontecer.

O ponto fraco era, e continua a ser, o enredo. Os produtores americanos descobriram duas propriedades da TV que a tornam ferramenta de dominação: o poder de convencimento através do processamento visual de imagens e  amplitude e facilidade de sua propagação.  Já em Perdidos no Espaço os enredos, quando não eram cretinos e infantilizados, utilizavam a famosa receita de bolo que seria usada e abusada em STNG: cada episódio durava entre 45 a 50 minutos. Iniciava-se com uma situação super-complicada e durante 43 minutos os “mocinhos” enfrentavam perigos graves e sofriam derrotas após derrotas  o que prendia o público até o final, com todos se perguntando: como é que eles vão sair dessa? Nós últimos minutos aparecia a solução, idiota, bisonha, descarada e difícil de se engolir. Mas o povão, anestesiado pela poder da TV, não reparava nisso.

Resumindo: quanto maior o problema, quanto mais perigosa que seja a situação, mais boçal, mais imbecil, mais estúpida será a solução, sempre acontecendo nos minutos finais do episódio. A consequência disso tudo é que não é necessário ter talento para escrever o roteiro dessas séries de ficção. Qualquer “zé mané” pode fazer isso em tais condições.

Os exemplos abundam.  Vou citar  alguns: 

Em “The Arsenal of Freedom” (S1E20-STNG) depois de muitas peripécias, encontramos o Cap Picard e a Dra. Crusher  feridos em um planeta desabitado, porém com o melhor sistema de defesa do Universo. O sistema de computação do planeta vende esse sistema de defesa a quem estiver interessado. A Enterprise se aproxima do planeta para resgatar o Capitão que, no planeta, está em negociações com o vendedor que é uma imagem holográfica. Picard diz ao vendedor que não quer comprar nada. Este insiste em vender e vai demonstrar como funciona o sistema. Então ataca a Enterprise, que resiste e arrebenta o atacante. O vendedor então se anima e diz a Picard que seu sistema é tão bom que aprende com o atacante e volta mais poderoso. Em pouco tempo, faz novo ataque à Enterprise que agora quase é destruída, mas consegue neutralizar o ataque. O vendedor então mostra a Picard como  está a situação e avisa que agora o sistema se tornou superior ao da Enterprise e vai acabar com ela de vez. Picard pede o fim da demonstração, mas o vendedor não entende por que ele não quer ver o poder daquilo que está vendendo. E assim a coisa se arrasta até os últimos minutos, quando o público idiotizado por tal enredo cretino não sabe como a nave vai se safar desta. A Enterprise está em pedaços, indefesa e o vendedor avisa que vai  dar o tiro de misericórdia. Picard então, no último segundo diz: “Pare. Eu compro seu sistema.” O computador pára o ataque.  Fim do episódio.

Em outra ocasião o transportador  apresenta uma falha e materializa Picard e outros com a idade de 12 anos, mas mantendo as funções cerebrais e memórias da pessoa na idade adulta. O transportador é tão bom que também materializa as roupas em tamanho pequeno. E o episódio se arrasta pelos 43 minutos sem que se tenha uma noção para reverter o problema e fazer com que essas crianças sejam novamente materializadas como adultos. No último segundos, o androide Data e o engenheiro ‘gênio’ LaForge informam aos telespectadores angustiados pela espera da solução: “Descobrimos que fazendo uma inversão na fase do descompressor e alinhando a repimpoca da parafuseta com o transmutador quântico dirigindo a sequência para geringola protonizada alternada, as crianças poderão voltar ao normal.” Entendeu? Não? Não faz mal. O que importa é que feito isso, a coisa dá certo, os adultos aparecem e.... fim do episódio.

Ou seja: esse tipo de enredo e a facilidade com que se resolvem problemas é pura diarreia mental dos roteiristas, entregue sem nenhum pudor a um bando de vidiotas que, dentro da bolha de louvação à série e personagens, a consomem lambendo os beiços e ficando cada vez mais idiotas.

Mas o problema do enredo truão é secundário. O principal foi a finalidade da STNG que atualmente salta aos olhos: a intenção de se fazer uma lavagem cerebral incessante e descarada do público para aceitar a dominação comunista da ONU e perder qualquer virtude beligerante, criando pessoas “pacíficas” – eufemismo para covardes pusilânimes – que não terão vontade de lutar contra a opressão e defender sua liberdade.

São 7 temporadas, mais de 150 episódios em que constantemente são martelados assuntos e conceitos que vão se introduzir e se arraigar nas mentes jovens enlaçados pelo programa. Existem milhares de comentários sobre ele – todos elogiosos -  inclusive um onde o sujeito declara “esta série salvou minha vida”.  Essa é a prova da eficácia dessa lavagem cerebral.

A ideia central é o pacifismo. Mas não aquele de pessoas viris, do tipo “si vis pacem para bellum” (se queres paz prepara-te para a guerra), dos que sabem que a paz é um estado conquistado e que deve ser preservado constantemente. Isso somente os fortes conseguem fazer.
O pacifismo da ONU é o mesmo das religiões. Simplesmente é covardia. São conceitos que ensinam a pessoa trocar a liberdade por uma garantia de segurança. E somente os covardes aceitam isso.

Picard, que possui uma legião de fãs, é principal elemento desse trabalho. A todo instante dá exemplos de covardia seguidos imediatamente por justificativas, tipo filosofia de botequim. E os acovardados adoram. Cita até a exaustão a primeira diretriz da Federação: “Não interferir com as civilizações que encontrar”. Para quem não sabe, a Federação de Planetas é um clone da ONU para o Universo. Na Terra conseguiram eliminar a doença, a pobreza, e as desigualdades, todos são iguais (conceito da ONU que planeja isso tornando todos escravos) menos  os dirigentes. No espaço a Federação conseguiu reunir vários planetas. A toda momento se fala em tratados de paz, embaixadores, negociadores de tréguas, etc. São as pessoas mais importantes da série.

Picard jamais revida um ataque e sempre escapa dos problemas com parlamentação. Mesmo quando os inimigos planejam destruir a nave, no final do episódio fica-se sabendo que Picard não os combateu por serem “renegados” e sempre aceita desculpas dos embaixadores do  planeta atacante.  Os cardassianos e romulanos estão abertamente em guerra contra os humanos, mas fizeram um tratado que fingem que cumprem. Quando falham suas tentativas de ferrar Picard e sua nave, colocam a culpa nos renegados.

Na primeira e segunda temporadas, Picard é mostrado  de uma forma débil, mais parecendo um capelão que comandante de nave espacial. E informa que “a nave não é de combate e sim de exploração.” Na terceira temporada os produtores notaram essa falta de firmeza e o fizeram mudar o tom. Quando se identifica, quase grita: “Aqui é Jean-Luc Picard, capitão da Enterprise.” Mas o exemplo de covardia e refugo da luta, não deixam que se esqueça sua pusilanimidade.

E chega ao extremo. Em um episódio, “Silicon Avatar” (S5E4) uma forma de vida cristalina vem passando pelo Universo destruindo tudo que encontra pela frente. Ao topar com um planeta absorve toda sua matéria orgânica, deixando-o apenas  com pedras e areia. Já destruiu centenas de planetas e matou milhões de seres. O episódio se arrasta e ao seu final uma entidade tão poderosa está na frente da Enterprise, talvez tirando uma soneca depois do almoço. Na nave há uma cientista que “descobriu” um modo de matar a coisa. Então ela ordena que se faça isso. Picard se adianta e diz “Nada disso. Eu respeito todas as formas de vida” A cientista então vai aos controles aperta um botão e manda um raio que destrói o cristal. Picard fica com uma cara de bundão. Depois perdoa a desobediência da cientista, pois ele é muito compreensivo. Fim

A sétima e última temporada mostra bem o e seu decaimento. Os roteiristas atiram para todo lado para tentar segurar a audiência. Mas, como são desprovidos de talento e incompetentes, somente conseguem tornar os episódios cada vez mais chatos e pueris. No último, um personagem chamado “Q”, um tipo de deus todo poderoso, informa a Picard que ele salvou  humanidade. E este fecha a série numa mesa de pôquer – jogando pela primeira vez – dizendo que deveria ter começado a jogar antes. Ufa! Já foi tarde!

Resumindo, São 176 episódios nojentos no sentido de lavagem de cerebral para formar covardes.  Sete anos em que a série cumpriu perfeitamente a sua finalidade de tornar a escravidão da ONU aceitável e até mesmo, desejada.  

Mas espere!


A Federação, digo, a ONU, sofreu um golpe terrível com a eleição de Trump  e considerou que os futuros eleitores precisam de uma nova lavagem cerebral. Lançarão em 2020 uma continuação de Star Trek NG, com o nome de “Star Trek: Picard” . Isso mesmo. O covardão, o entreguista, o pusilânime JL Picard estará de volta, agora contando a sua história após a primeira série. 

Benjamin Franklin disse “Aquele que troca sua liberdade por qualquer tipo de segurança, não merece nem segurança, nem liberdade”. Picard volta com suas promessas e exemplos de seguidor fiel da ONU, digo, da Federação escravagista, resumindo seu modo de pensar e agir em um único ponto, indiscutível: se tiver que tomar uma decisão correta e justa, mas isso contrariar as “diretrizes” de sua senhora a Federação, ele não toma.

Infelizmente vamos ter mais uma colheita de cérebros alienados depois desta porcaria de série. A humanidade é assim.

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Veja o único capítulo aproveitável dessa série:
https://cloneclock.blogspot.com/2017/12/star-trek-s3e4.html

Mais:
Porta Aberta para a Zoofilia
Quem traduz os títulos dos filmes?
O Zorro de Disney 
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27 de ago. de 2019

Espaçonave Terra

Tous sur Orbite

 (Espaçonave Terra)

 

Um curso de Astronomia para crianças e iniciantes apresentado de forma estupenda.

É de 1996, mas você não viu porque a Globo estava mostrando BBB.

Tome esse elixir proveniente da mais pura fonte da Ciência para desintoxicar seu cérebro afogado no lixo com que a TV inunda sua tela.

Beba!

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Parte1


Parte2


Parte3


Parte4  

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